Jornalistas sentados. Câmeras e gravadores ligados. Canetas rabiscando bloquinhos de papel. Importante autoridade da segurança pública do Estado dando uma entrevista coletiva para apresentar o balanço das atividades do ano de 2008. A certa altura da convers, uma jornalista questiona a autoridade sobre alguns números relativos à criminalidade. Não sabendo dos dados no momento, a autoridade olha para um dos jornalistas presentes, repórter de um conceituadíssimo jornal do Rio Grande do Sul, e diz:
- O fulano aqui fez uma matéria essa semana apresentando esses números. Beltrana! (chamando a assessora de imprensa). Tira uma cópia daquela matéria que ele fez com os números, recorta o quadro com os dados que tem nela e dá para a nossa amiga jornalista aqui, que ela quer saber quais são os números exatos.
Moral da história: Matéria jornalística servindo de material de divulgação, release, ou seja qual for o nome que quiserem dar, para órgãos públicos. Os dados foram divulgados em primeira mão pelo jornal, uma semana antes da apresentação do balanço oficial. Tirem suas próprias conclusões.
domingo, 4 de janeiro de 2009
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Fato da semana
Chiquinha - Papai, você viu um sapato passar voando por aqui?
Seu Madruga - Ah sim, como não, um da sapatos "AirLines"?
Roberto Gomes Bolaños, mais atual do que nunca.
Seu Madruga - Ah sim, como não, um da sapatos "AirLines"?
Roberto Gomes Bolaños, mais atual do que nunca.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Planos
Com chegada do meu ¼ de século se aproximando, um pensamento mórbido me passou pela cabeça. Na mais otimista das hipóteses, 25% da minha vida já passou. Sinceramente acho que já foi mais, entretanto, como a medicina vem avançando muito e como eu não fumo, não bebo (sic) e não jogo (“por isso estou tão cansado”, só para relembrar o Chapolin), sei que a possibilidade de chegar aos 100 anos existe. Levando em conta que os últimos 40% de vida deverão ser de restrições, principalmente físicas, tenho mais 35% de vida ativamente perfeita ainda pela frente. Ainda tenho muito tempo de vida, sei disso, mas também tenho muitas coisas a fazer ainda. Muitos planos. Alguns para um curtíssimo prazo (talvez os mais importantes e decisivos), outros para um prazo médio e outros (poucos, diga-se de passagem), para um longo prazo. Fazendo um brevíssimo inventário da vida posso dizer que ainda não plantei uma árvore, ainda não escrevi um livro e ainda não tive um filho. Sobre a árvore, a falta pode ser resolvida rapidamente, sem maiores dificuldades. Sobre o livro, algumas idéias de grandes reportagens me saltam à mente de vez em quando. E sobre o filho, ..., bom, sobre o filho creio que não é o momento. Ainda é muito cedo para vermos um amengualzinho correndo por aí. Olhando para o futuro, posso dizer algumas coisas. Os próximos 25 anos deverão ser mais agitados socialmente, com maiores responsabilidades e mais dores de cabeça. Deverão ser também de maiores conquistas, pessoais e profissionais, e de maior aprendizado. Quero conhecer mais pessoas e lugares, conquistar mais amigos, manter os que já tenho. Quero me arriscar mais, diminuir as distâncias. Quero vencer as batalhas contra minhas muitas limitações. Quero poder falar aquilo que desejo, mas não consigo. Quero ouvir mais, aprender muito mais. Quero teimar menos. Quero olhar mais, sentir mais. Quero ajudar mais. Quero errar menos, mas quero continuar errando e aprendendo com os erros, como todos. Quero pedir mais desculpas. Quero ouvir mais obrigados. Quero ler mais. Quero usar menos a razão, quando for preciso. Quero escrever mais. Quero ganhar mais e continuar perdendo de vez em quando para não achar que a vida é feita só de vitórias. Quero mudar mais de opinião. Quero acreditar mais. Quero desconfiar mais, quando necessário. Quero pensar mais. Quero procurar mais, descobrir mais. Quero me irritar menos e compreender mais. Quero planejar mais. Quero sorrir mais e fazer com que as pessoas sorriam também. Basicamente é isso. Quero morrer sabendo que fiz o melhor que pude até então e que fiz e deixei amigos. Isso basta. Não quero e não preciso de mais nada.
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Darwin = Messias
Notícia da semana: Em 2050, o Brasil terá 7 milhões de mulheres a mais do que homens. Novamente se observa na prática o darwinismo. A seleção natural, com os mais fortes sobrepujando os mais fracos, ocorrendo diariamente ao alcance dos nossos olhos. Pesquisas confirmando o que eu disse no post anterior. Sempre soube que alguém com aquela barba só poderia ser um profeta.
sábado, 22 de novembro de 2008
Calculadora de celular
Estava eu conversando via Msn com o amigo Natusch, em uma dessas madrugadas em que a gente perde o sono por ficar com algum pensamento fixo na cabeça e a única forma de tentar esquecê-lo é se distrair com alguma outra coisa, quando o assunto tratado em questão foi mulheres. É engraçado pensar em como elas são mais fortes do que nós. E falo isso em todos os sentidos, com exceção do físico. Derrota essa que elas compensam com a beleza que inunda nossos olhos, preenche nossa mente e toma conta dos nossos corações (estou inspirado hoje). Pois bem, o fato é que os homens são muito mais dependentes das mulheres do que o contrário. A verdade está na batida frase “o que tu me pedes sorrindo que eu não faço chorando”. Elas nos têm nas mãos. Desde o instante do flerte, passando pela ficada, pelo namoro, noivado e casamento, o poder de decisão está sempre com as mulheres. E isso não é motivo de vergonha ou desmerecimento para nós. Ao contrário. Elas são mais inteligentes, e não falo aqui dessa inteligência a que se denomina o acúmulo de conhecimento e a sua colocação em prática. Falo da inteligência instintiva e, ainda mais, da inteligência intuitiva. As mulheres têm uma capacidade de captar no ar os sentimentos das pessoas, os climas dos lugares. Elas interpretam pequenos gestos, que para nós não significam absolutamente nada de mais, e, assim, mapeiam as situações com uma precisão inigualável. Nós tendemos a transformar todas as estradas em uma infinita linha reta. Elas vêem as sinuosidades, as curvas, os desvios. Nós somos mais simples (talvez simplórios) e diretos, e sempre tentamos ver a vida com esses olhos. Elas são mais complexas e conseguem ver que a vida não é algo tão óbvio. Nós damos valor para coisas insignificantes que consideramos as mais importantes do mundo. Elas valorizam os detalhes e fatos realmente importantes, e que nós consideramos frescura. Elas conjecturam possibilidades diversas para questões que nós achamos que só tem uma solução. Elas são um Pentium Dual Core. Nós, uma calculadora de celular. Elas são divertidas sem querer ser. Nós nos passamos por artistas de circo para mostrar que somos engraçados. Elas não temem demonstrar a flor da pele o que sentem, seja raiva, medo, tristeza ou amor. Nós pensamos ser de pedra e, com isso, damos prova da nossa covardia. Enfim, o que seria de nós sem elas? O que seria de nossa vida sem elas? Prefiro não cogitar a hipótese. As horas se arrastariam e demorariam muito para passar. Os dias seriam como becos sem saídas em dias de tempestade. É isso, conversas com Natusch sempre rendem. Os russos são sábios.
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Caneta e papel na mão
Ultimamente não tenho pensado em nada que daria um bom post. Em razão disso, não escrevi nada. Diante dessa situação, notei como é difícil para eu escrever algo. Cada texto que escrevo para o jornal me tira algumas gotas de suor. Não consegui achar até agora uma explicação racional para isso. Talvez seja pela timidez que me acomete, característica que meus amigos com certeza devem achar que não tenho, mas que definitivamente me impede de fazer e de dizer diversas coisas que eu desejaria. Talvez seja por saber da responsabilidade de escrever para um jornal e ver meu nome publicado junto com a matéria, com milhares de pessoas lendo. Talvez seja por insegurança e preciosismo demasiado, por uma auto-cobrança muito forte. Talvez seja por incapacidade mesmo, dificuldade de escrever. Enfim, as hipóteses são várias. Ainda não cheguei a uma conclusão que me convença plenamente. Mas o fato é que tenho muitas idéias e, na maior parte das vezes, não consigo transcrevê-las em palavras. O desafio é diário. Talvez por isso tenha escolhido ser jornalista. Por ser uma forma de me confrontar todos os dias com as minhas limitações. Por hoje é isso. Um post mais pessoal para explicar os motivos das ausências por períodos prolongados. Agora vou buscar uma toalha para secar a testa.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Choque de realidade
Ontem à tarde fui, a trabalho, ao primeiro lugar que realmente me impressionou durante esta minha não tão longa estrada como jornalista: Vila Dique. Se alguém que pode ler este blog reclama de alguma coisa em sua vida, recomendo uma rápida passada por lá. É um verdadeiro choque de realidade.

Fotos de Fernanda Bigio
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