Não tenho escrito muita coisa por aqui. Falha minha talvez, um pouco de preguiça quem sabe, falta de assunto possivelmente. Até agora 2009 tem sido um ano bem bom. Bastante atividade no trabalho, tenho produzido bastante e ideias novas surgem com muita regularidade. Algumas surpresas muito boas e grandes expectativas para os próximos meses.
Não vou para o Litoral nesse verão e acho que ficando em Porto Alegre acabo descansando mais. O jornalismo diário fez com que algumas utopias em relação à profissão fossem deixadas de lado. A realidade é bem mais crua. É preciso produzir todos os dias, não há tempo para muitas divagações e grandes aprofundamentos. A satisfação de ter escrito uma matéria de abertura de 4 mil caracteres, com foto na capa, acaba no momento em que a pauta do dia seguinte é passada.
Entretanto, cabe ressaltar que me surpreendi muito positivamente em relação à prática da profissão. Pelo menos no veículo onde trabalho, tenho uma considerável liberdade para propor pautas, algumas, eu diria até, bastante “subversivas”, como diria aquele mestre. Existe uma certa satisfação na chefia imediata e em mim também quando a assessoria de comunicação de um órgão público liga reclamando da matéria que foi publicada, fato que já ocorreu diversas vezes. O compromisso continua sendo com o leitor e com a mais ferrenha fidelidade com a verdade factual. É lógico que na maioria das vezes se faz necessário ouvir o lado que é alvo da reclamação popular, até para que o leitor e a população saiba o que está ou o que não está sendo feito. Mas esse espaço, o da voz oficial, sempre tem der ser o estritamente necessário para que uma satisfação à sociedade seja dada. Enfim, estou gostando bastante. Não é nem aquela maravilha ideal com que sonhávamos quando estudantes, nem aquele sepulcro do jornalismo que achávamos que era. É a realidade, a força dos minutos e do dia-a-dia impedem que algo muito melhor seja feito, mas isso não é motivo para que não se tente fazê-lo. É isso.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Jornalista tem de ter lado

“Jornalistas devem estar ao lado dos que mais sofrem. Se nos mandassem cobrir o tráfico de escravos no século 18, não deveríamos dar o mesmo tratamento às opiniões do escravo e às do capitão do navio mercador de escravos. Se nos mandassem cobrir a libertação, num campo de concentração nazista, não deveríamos dar o mesmo tratamento às vítimas e ao porta-voz da SS”.
Robert Fisk, jornalista inglês
Robert Fisk, jornalista inglês
* Extraído do RS Urgente
domingo, 4 de janeiro de 2009
Bastidores
Jornalistas sentados. Câmeras e gravadores ligados. Canetas rabiscando bloquinhos de papel. Importante autoridade da segurança pública do Estado dando uma entrevista coletiva para apresentar o balanço das atividades do ano de 2008. A certa altura da convers, uma jornalista questiona a autoridade sobre alguns números relativos à criminalidade. Não sabendo dos dados no momento, a autoridade olha para um dos jornalistas presentes, repórter de um conceituadíssimo jornal do Rio Grande do Sul, e diz:
- O fulano aqui fez uma matéria essa semana apresentando esses números. Beltrana! (chamando a assessora de imprensa). Tira uma cópia daquela matéria que ele fez com os números, recorta o quadro com os dados que tem nela e dá para a nossa amiga jornalista aqui, que ela quer saber quais são os números exatos.
Moral da história: Matéria jornalística servindo de material de divulgação, release, ou seja qual for o nome que quiserem dar, para órgãos públicos. Os dados foram divulgados em primeira mão pelo jornal, uma semana antes da apresentação do balanço oficial. Tirem suas próprias conclusões.
- O fulano aqui fez uma matéria essa semana apresentando esses números. Beltrana! (chamando a assessora de imprensa). Tira uma cópia daquela matéria que ele fez com os números, recorta o quadro com os dados que tem nela e dá para a nossa amiga jornalista aqui, que ela quer saber quais são os números exatos.
Moral da história: Matéria jornalística servindo de material de divulgação, release, ou seja qual for o nome que quiserem dar, para órgãos públicos. Os dados foram divulgados em primeira mão pelo jornal, uma semana antes da apresentação do balanço oficial. Tirem suas próprias conclusões.
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Fato da semana
Chiquinha - Papai, você viu um sapato passar voando por aqui?
Seu Madruga - Ah sim, como não, um da sapatos "AirLines"?
Roberto Gomes Bolaños, mais atual do que nunca.
Seu Madruga - Ah sim, como não, um da sapatos "AirLines"?
Roberto Gomes Bolaños, mais atual do que nunca.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Planos
Com chegada do meu ¼ de século se aproximando, um pensamento mórbido me passou pela cabeça. Na mais otimista das hipóteses, 25% da minha vida já passou. Sinceramente acho que já foi mais, entretanto, como a medicina vem avançando muito e como eu não fumo, não bebo (sic) e não jogo (“por isso estou tão cansado”, só para relembrar o Chapolin), sei que a possibilidade de chegar aos 100 anos existe. Levando em conta que os últimos 40% de vida deverão ser de restrições, principalmente físicas, tenho mais 35% de vida ativamente perfeita ainda pela frente. Ainda tenho muito tempo de vida, sei disso, mas também tenho muitas coisas a fazer ainda. Muitos planos. Alguns para um curtíssimo prazo (talvez os mais importantes e decisivos), outros para um prazo médio e outros (poucos, diga-se de passagem), para um longo prazo. Fazendo um brevíssimo inventário da vida posso dizer que ainda não plantei uma árvore, ainda não escrevi um livro e ainda não tive um filho. Sobre a árvore, a falta pode ser resolvida rapidamente, sem maiores dificuldades. Sobre o livro, algumas idéias de grandes reportagens me saltam à mente de vez em quando. E sobre o filho, ..., bom, sobre o filho creio que não é o momento. Ainda é muito cedo para vermos um amengualzinho correndo por aí. Olhando para o futuro, posso dizer algumas coisas. Os próximos 25 anos deverão ser mais agitados socialmente, com maiores responsabilidades e mais dores de cabeça. Deverão ser também de maiores conquistas, pessoais e profissionais, e de maior aprendizado. Quero conhecer mais pessoas e lugares, conquistar mais amigos, manter os que já tenho. Quero me arriscar mais, diminuir as distâncias. Quero vencer as batalhas contra minhas muitas limitações. Quero poder falar aquilo que desejo, mas não consigo. Quero ouvir mais, aprender muito mais. Quero teimar menos. Quero olhar mais, sentir mais. Quero ajudar mais. Quero errar menos, mas quero continuar errando e aprendendo com os erros, como todos. Quero pedir mais desculpas. Quero ouvir mais obrigados. Quero ler mais. Quero usar menos a razão, quando for preciso. Quero escrever mais. Quero ganhar mais e continuar perdendo de vez em quando para não achar que a vida é feita só de vitórias. Quero mudar mais de opinião. Quero acreditar mais. Quero desconfiar mais, quando necessário. Quero pensar mais. Quero procurar mais, descobrir mais. Quero me irritar menos e compreender mais. Quero planejar mais. Quero sorrir mais e fazer com que as pessoas sorriam também. Basicamente é isso. Quero morrer sabendo que fiz o melhor que pude até então e que fiz e deixei amigos. Isso basta. Não quero e não preciso de mais nada.
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Darwin = Messias
Notícia da semana: Em 2050, o Brasil terá 7 milhões de mulheres a mais do que homens. Novamente se observa na prática o darwinismo. A seleção natural, com os mais fortes sobrepujando os mais fracos, ocorrendo diariamente ao alcance dos nossos olhos. Pesquisas confirmando o que eu disse no post anterior. Sempre soube que alguém com aquela barba só poderia ser um profeta.
sábado, 22 de novembro de 2008
Calculadora de celular
Estava eu conversando via Msn com o amigo Natusch, em uma dessas madrugadas em que a gente perde o sono por ficar com algum pensamento fixo na cabeça e a única forma de tentar esquecê-lo é se distrair com alguma outra coisa, quando o assunto tratado em questão foi mulheres. É engraçado pensar em como elas são mais fortes do que nós. E falo isso em todos os sentidos, com exceção do físico. Derrota essa que elas compensam com a beleza que inunda nossos olhos, preenche nossa mente e toma conta dos nossos corações (estou inspirado hoje). Pois bem, o fato é que os homens são muito mais dependentes das mulheres do que o contrário. A verdade está na batida frase “o que tu me pedes sorrindo que eu não faço chorando”. Elas nos têm nas mãos. Desde o instante do flerte, passando pela ficada, pelo namoro, noivado e casamento, o poder de decisão está sempre com as mulheres. E isso não é motivo de vergonha ou desmerecimento para nós. Ao contrário. Elas são mais inteligentes, e não falo aqui dessa inteligência a que se denomina o acúmulo de conhecimento e a sua colocação em prática. Falo da inteligência instintiva e, ainda mais, da inteligência intuitiva. As mulheres têm uma capacidade de captar no ar os sentimentos das pessoas, os climas dos lugares. Elas interpretam pequenos gestos, que para nós não significam absolutamente nada de mais, e, assim, mapeiam as situações com uma precisão inigualável. Nós tendemos a transformar todas as estradas em uma infinita linha reta. Elas vêem as sinuosidades, as curvas, os desvios. Nós somos mais simples (talvez simplórios) e diretos, e sempre tentamos ver a vida com esses olhos. Elas são mais complexas e conseguem ver que a vida não é algo tão óbvio. Nós damos valor para coisas insignificantes que consideramos as mais importantes do mundo. Elas valorizam os detalhes e fatos realmente importantes, e que nós consideramos frescura. Elas conjecturam possibilidades diversas para questões que nós achamos que só tem uma solução. Elas são um Pentium Dual Core. Nós, uma calculadora de celular. Elas são divertidas sem querer ser. Nós nos passamos por artistas de circo para mostrar que somos engraçados. Elas não temem demonstrar a flor da pele o que sentem, seja raiva, medo, tristeza ou amor. Nós pensamos ser de pedra e, com isso, damos prova da nossa covardia. Enfim, o que seria de nós sem elas? O que seria de nossa vida sem elas? Prefiro não cogitar a hipótese. As horas se arrastariam e demorariam muito para passar. Os dias seriam como becos sem saídas em dias de tempestade. É isso, conversas com Natusch sempre rendem. Os russos são sábios.
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