segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Teoria do Espelho

O que podemos fazer em relação a alguém que espera mais de nós como pessoa. Esse indivíduo não espera mais no sentido que tu melhores e progrida em relação ao que tu já és, e sim, que tu sejas uma pessoa diferente do que tu és. Ela quer que tu tenhas características diferentes das que tu tens ou quer que tu ajas de forma diversa do que tu costumas agir. Por mais que tu se molde ao que aquela pessoa quer, por mais que a agrade, ela sempre terá uma desculpa, sempre terá um novo motivo. Ela quer que tu sejas uma outra pessoa.
Pensei muito sobre isso nos últimos dias e cheguei a uma conclusão, que possivelmente não é definitiva (e possivelmente pensarei outra coisa a respeito daqui a algum tempo): acho que, por mais que tu mudes, por mais que tu te transformes em uma pessoa que tu não és, por mais que tu corrompas a tua essência, nunca será o bastante para essa pessoa. Ela sempre irá querer mais mudanças, sem parar. Por quê? Porque, antes de tudo, essa pessoa não sabe quem ela própria é e, por isso, nunca encontra o indivíduo que ela considera “perfeito” para si. Ela quer alguém que seja o seu reflexo, mas não sabe qual é a sua imagem.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Agradecimento

O ano está terminando e posso dizer que 2009 foi bastante generoso comigo. Fiz novos amigos, aprendi muito. Em razão disso, achei importante deixar aqui um agradecimento público àquelas pessoas que, de uma forma ou de outra, foram importantes para mim em 2009. Pessoas que fizeram com que eu me tornasse alguém melhor. Aprendi com todos esses que estão aqui embaixo. Vamos lá então:

A meus pais e meus irmãos por não se encherem de mim e pelos aprendizados eternos;

A meus amigos e colegas de trabalho: Cláudio, pelas parcerias profissionais, pelo divertimento, pelo modo como encara as coisas; Daniel, pela tranquilidade, pelo profissionalismo, pelas recomendações musicais; Fábio, por ser um dos poucos que compreende minhas piadas referenciadas em Chaves e Chapolin e pelo gente finismo; Isadora, pelo sorriso largo, pelo exemplo de busca por se aperfeiçoar sempre; Maurício, por ser meu ombudsman e pelas hilárias observações durante as pautas; e à Paula, pela compreensão, pelo incentivo, pelo apoio, pelas cobranças, por acreditar em mim como jornalista, por cair nas minhas piadas infames, pelas caronas e pelas conversas, pela confiança, pelos elogios e pelas críticas. A todos eles, agradeço pelas risadas, pelas aulas de jornalismo, pela paciência e, acima de tudo, pela amizade.

Aos outros colegas do jornal, fotógrafos, diagramadores, revisoras, motoristas, etc, por colocar meu trabalho nas páginas publicadas;

Ao meu grande amigo Natusch, por ser um exemplo de coragem, de que não podemos nos acomodar e de que burocracia e carreirismo é uma m...

Aos meus entrevistados, pelo tempo disponibilizado e pela compreensão;

A alguns assessores de imprensa, principalmente da prefeitura, por deixarem ainda mais claro para mim o tipo de profissional que eu não quero ser;

A Rita Mousquer, pelo exemplo de dedicação, pelas conversas e por fazer com que eu enxergasse mais claramente os meus defeitos;

A quem leu alguma das minhas matérias, uma que seja, pela atenção;

Ao jornalismo, por quem me apaixono diariamente, sempre como se fosse a primeira vez, nos momentos bons e nos desagradáveis também, por me fazer sentir-me útil;

Ao meu instrutor da moto-escola por fazer com que eu aprendesse a fazer algo que eu sonhava desde criança;

Muito obrigado a todos vocês, que foram importantes para mim nesse ano. Se hoje sou melhor do que aquele que começou 2009, vocês são a razão.

É isso. Que venha 2010 e que seja ainda melhor. Hasta.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A chama

O JC está publicando durante essa semana uma série de matérias que eu e o colega Cláudio Isaías escrevemos sobre adoção, a situação de crianças e adolescentes em abrigos, o que fazer para diminuir o tempo de abrigagem, etc. Começou ontem e segue até segunda-feira que vem. Para a matéria de hoje, escrevi um texto que, não achava que seria publicado, mas, como autocensura não é comigo, escrevi e passei para a editora. Pois saiu. Foi publicado em um jornal lido pela classe A. Bateu um orgulhosinho aqui. Segue abaixo o texto.

(antes, para contextualizar: nós fomos em um abrigo, lá no bairro Belém Novo, e a matéria principal fala sobre aquele local)

Elas mantêm a chama acesa

Juliano Tatsch

Do que aquelas crianças riem? Porque aquelas crianças riem? Afinal de contas, elas não vivem com os pais (algumas delas nem chegaram a conhecê-los), não têm brinquedos modernos, telefones celulares, vídeogames, câmeras digitais, computador. Acredite: elas conseguem sobreviver sem passar horas “conversando” pelo MSN ou postando scraps no Orkut. Elas não têm iPod. Aliás, a maioria delas não tem a mínima ideia do que seja um iPod. Suas roupas e calçados não estampam marcas famosas e cobiçadas.
Elas não desfilam em carros bonitos, não frequentam escolas de línguas, não passeiam em shopping-centers e não compram coisas as quais irão usar umas poucas vezes e que depois vão parar no fundo do armário, ou dentro do closet. Elas não têm um quarto só delas. Elas não estudam em escolas particulares. Elas não passam férias no exterior. Elas não aparecem nas capas de jornais e revistas jovens, distribuídos em frente a escolas, pois não são o modelo de beleza que o “mercado” exige, apesar de serem simplesmente lindas. Elas não são atendidas em hospitais e clínicas privadas quando ficam doentes. Nenhuma daquelas crianças e adolescentes foi seis vezes no cinema para ver Crepúsculo. Boa parte delas nunca entrou em um cinema. Elas moram longe de qualquer cinema, no extremo Sul da cidade. Elas não são consumidoras vorazes, as propagandas na televisão não são direcionadas a elas. Elas não se vêem na televisão.
Como explicar então, a extrema educação daquelas crianças? Como explicar o sorriso constante, a disposição e o brilho nos olhos daquelas crianças? As respostas para essas indagações são muitas. Somente duas, porém, já fazem com que esse mistério seja entendido. A primeira resposta. Aquelas crianças sorriem e são educadas porque felicidade e educação (falo de educação, não de conhecimento) não possuem nenhuma relação com dinheiro. A segunda resposta. Aquelas crianças sorriem porque, contrariando todas as expectativas, elas são vencedoras. Elas terão um futuro. Aquelas lindas crianças sorriem porque mantêm a esperança. Elas mantêm a chama acesa. E com fogo alto.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Grande idiotice

Só a elite que se nega a enxergar o que ocorre nas ruas ainda apoia essa idiotice chamada "guerra às drogas". Até um velho policial yanke sabe disso.

Combate às drogas baseado na proibição é “caminho para o desastre”, diz especialista

As políticas de enfrentamento à questão do tráfico e do consumo de drogas baseadas na proibição são um caminho para o desastre. A avaliação é do detetive aposentado da Polícia de Nova Jersey, nos Estados Unidos, Jack Cole. Para ele, que trabalhou infiltrado no mundo do narcotráfico em seu país de origem por mais de dez anos, a repressão tem um custo alto para o Estado e traz pouca eficácia no dia a dia da sociedade.
Para justificar sua hipótese, Cole citou a política norte-americana de combate às drogas. “Quando a nossa política de combate começava, na década de 1970, os estudos apontavam que cerca de 1,3% da população era viciada em algum tipo de droga. Por conta disso, começamos uma guerra, com custos de aproximadamente US$ 100 milhões ao ano. Passadas algumas décadas, os gastos que temos nessa área já chegam a US$ 70 bilhões e o percentual de viciados continua nos 1,3%”, argumentou.
“Além disso, mesmo com toda essa política, as apreensões passaram de gramas a toneladas. Enquanto o grau de pureza aumentou muito, o preço das drogas se torna cada vez menor. Por tudo isso, podemos dizer que é uma política fracassada”, afirmou ele, que participou nesta sexta-feira (23) no Rio de Janeiro, da 2ª Reunião da Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia.
Ele também criticou o fato de que, com a proibição do consumo, torna-se mais fácil a crianças e adolescentes adquirir essas substâncias no mercado ilegal do que as chamadas drogas lícitas, como álcool e cigarro.
“Nas ruas, eles não querem saber se o comprador tem documento de identificação, se tem idade suficiente, como ocorre nos Estados Unidos para liberar a venda de bebidas alcoólicas, por exemplo. Nas ruas, eles só querem saber se o comprador tem o dinheiro (para comprar a droga)”, acrescentou.

Fonte: Ag. Brasil.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

As casas e as ruas alagadas e o galo que corre sobre as águas

O título aqui em cima era o título original da matéria que sai nesta quarta no JC e que reproduzo logo aqui embaixo. O título teve de ser trocado, pois não coube na página, mas o texto é o mesmo. A experiência me fez ganhar o mês e acho que o texto ficou bacana, se não bom, pelo menos diferente do que é comumente publicado sobre a questão. Leiam e opinem, se quiserem.

Foto de Mauro Schaefer

Moradores vivem a rotina dos alagamentos
Residentes da Ilha dos Marinheiros se adaptam para permanecer na região

Juliano Tatsch

Quem mora nas ilhas de Porto Alegre não vê o lado glamouroso do lago Guaíba. Não vê o famoso pôr do sol. O único glamour que quem vive nas ilhas do Guaíba vê são as luxuosas casas que margeiam o lago. Quem mora do lado de cá da Capital contempla a beleza do entardecer. Quem reside do lado de cá, porém, não enxerga o que quem mora nas ilhas vive, diariamente, quando dos períodos de chuva na Capital e nas cidades da Região Metropolitana.
A reportagem do Jornal do Comércio pegou carona na carroça dos papeleiros Adriano e Paulo Ramos para acompanhar, por pouco tempo, parte das dificuldades de quem vive na Ilha dos Marinheiros quando o nível do Guaíba sobe. É impossível andar a pé nas áreas mais baixas. O único modo de se locomover é através de carroças, cavalos, botes e barcos. Caso contrário, a pessoa deve ter um bom par de botas de cano longo, ser extremamente corajosa e não temer os riscos de adquirir alguma doença.
Fernando Souza mora há 16 anos na ilha. Segundo ele, o medo maior ocorre durante a noite, pois a água pode subir e pegar todos de surpresa enquanto dormem. “Nós estamos permanentemente em alerta. Essa água é imprevisível. À noite nós vamos dormir e ela está normal; quando acordamos pela manhã já está batendo na porta. Várias vezes já tivemos de sair. Nessa cheia de agora, a água só não entrou em casa porque a construção é alta”, relata.
Os moradores da Ilha dos Marinheiros, sabedores do constante risco de enchente do lago, constroem suas casas sobre pilares, a uma altura considerável. Em muitas delas, nem isso é suficiente. No caso das residências que ficam completamente ilhadas ou são tomadas pela água, a única coisa a ser feita é retirar as famílias e alojá-las em outro local, que, no caso da Ilha dos Marinheiros, é a escola.
O problema, porém, não se encerra com a retirada dos moradores de suas casas. Muitos deles não querem sair. Duas são as razões básicas para isso: uma é o medo de ter seus pertences furtados durante o período que não estiverem em casa; a outra é o fato de, ao se ausentarem de suas residências, se sentirem impotentes, não poderem fazer nada para salvar um pouco que seja de seus móveis e utensílios domésticos. “Eu não deixo minha casa. Nunca saí, mesmo quando a água subiu muito mais do que agora. É muito perigoso. O risco de voltar e não encontrar mais nada é muito grande”, diz Cacilda Rodrigues, há 44 anos moradora da ilha.
Os irmãos Ramos seguem com seu cavalo água adentro. O animal dá sinais de cansaço, afinal de contas, carrega na carroça os dois irmãos, o repórter e o fotógrafo. Caminhar com água batendo no joelho exige muito mais do físico do animal que, valente, segue sem parar, a não ser quando Paulo faz uma breve parada para que as histórias dos moradores possam ser ouvidas e as imagens possam ser registradas. Não se vê muitas pessoas nas ruas e as que estão, em sua maioria, ou trabalham ou aproveitam o sol da tarde de terça-feira para pôr algumas roupas e móveis para secar. Não se nota tristeza nos rostos. A única explicação para tal é dada por Souza. “Já esteve muito pior. Hoje está até bom aqui”, ressalta.
Crianças brincam. Duas correm atrás de um galo que, tentando voar, parece caminhar sobre as águas. “Vai para a panela, vai para a panela”, diz o menino após conseguir apanhar a ave. A carroça segue e mais adiante é possível ver um outro menino se equilibrando sobre um pedaço de isopor, utilizando um galho que leva em uma das mãos como remo. Em um dos pátios alagados, outra criança demonstra muita destreza indo de um lado para o outro e dando giros completos com um barco. Mesmo em meio à tragédia, ainda há lugar para sorrisos e brincadeiras.

- http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=8988&codp=104&codni=3

sábado, 26 de setembro de 2009

"É um assunto de classe"

Noam Chomsky é mestre. Depois que li “O Lucro ou as Pessoas?” para fazer meu trabalho de conclusão de curso passei a me interessar bastante pelos seus escritos e opiniões. Passando por alguns site na Internet achei uma entrevista dele ao jornal mexicano La Jornada, reproduzida pela Agência Carta Maior. Destaco um trecho em especial. Em época de campanhas contra as drogas, especialmente uma delas, vale a pena dar uma lida. O texto completo pode ser lido aqui.

A guerra contra o narcotráfico
Noam Chomsky

A guerra contra a droga, que se espalha por vários países da América Latina, entre eles o México, tem velhos antecedentes. Revitalizada por Nixon, foi um esforço para superar os efeitos da guerra do Vietnã, nos EUA. A guerra foi um fator que levou a uma importante revolução cultural nos anos 60, a qual civilizou o país: direitos da mulher, direitos civis. Ou seja, democratizou o território, aterrorizando as elites. A última coisa que desejavam era a democracia, os direitos da população, etc., razão pela qual lançaram uma enorme contraofensiva. Parte dela foi a guerra contra as drogas.
Ela foi desenhada para transportar a concepção da guerra do Vietnã: do que nós estávamos fazendo aos vietnamitas ao que eles não estavam fazendo a nós. O grande tema no final dos anos 60 nos meios de comunicação, inclusive os liberais, foi que a guerra do Vietnã foi uma guerra contra os EUA. Os vietnamitas estavam destruindo nosso país com drogas. Foi um mito fabricado pelos meios de comunicação nos filmes e na imprensa. Inventou-se a história de um exército cheio de soldados viciados em drogas que, ao regressar para casa, converteram-se em delinquentes, aterrorizando nossas cidades. Sim, havia uso de drogas entre os militares, mas não era muito diferente do que existia em outros setores da sociedade. Foi um mito fabricado. É disso que se tratava a guerra contra as drogas. Assim se mudou a concepção da guerra do Vietnã, transformando-a em uma guerra na qual nós éramos as vítimas.
Isso se encaixou muito bem com as campanhas em favor da lei e da ordem. Dizia-se que nossas cidades se desgarravam por causa do movimento anti-guerra e dos rebeldes culturais, e que por isso era preciso impor a lei e a ordem. Ali cabia a guerra contra a droga.
Reagan ampliou-a de maneira significativa. Nos primeiros anos de sua administração intensificou-se a campanha, acusando os comunistas de promover o consumo de drogas. No início dos anos 80, os funcionários que levavam a sério a guerra contra as drogas descobriram um incremento significativo e inexplicável de fundos em bancos do sul da Flórida. Lançaram uma campanha para detê-lo. A Casa Branca interveio e suspendeu a campanha. Quem o fez? George Bush pai, neste período o encarregado da guerra contra as drogas. Foi quando a taxa de prisões aumentou de maneira significativa, principalmente a prisão de negros. Agora o número de prisioneiros per capita é o mais alto do mundo. No entanto, a taxa de criminalidade é quase igual a dos outros países. É um controle sobre parte da população. É um assunto de classe. (grifo meu)
A guerra contra as drogas, como outras políticas, promovidas tanto por liberais como por conservadores, é uma tentativa para controlar a democratização das forças sociais. (grifo meu)
Há alguns dias, o Departamento de Estado emitiu sua certificação de cooperação na luta contra as drogas. Os três países que foram “descertificados” são Myamar, uma ditadura militar – não importa, está apoiada por empresas petroleiras ocidentais -, Venezuela e Bolívia, que são inimigos dos EUA. Nem México, nem Colômbia, nem Estados Unidos, em todos os quais há narcotráfico.

sábado, 15 de agosto de 2009

O pescador


Eu eu o meu celular, sozinhos, em um desses dias frio que tivemos, não me recordo quando, na beira do Guaíba. O pescador e a sua pequena canoa. Gostei da foto.